Família Manson- Pág. 1


BASEADA NA TRILHA SONORA DE:

"Ainda me pego pensando em coisas estranhas, como mamãe e papai," ressaltou a Srta. Adeline, sua voz se misturando ao murmúrio das folhas no jardim. Billy, seu fiel companheiro canino, a observava com olhos inquietos, como se compreendesse o peso das palavras dela.

"Às vezes, sinto que não estamos sozinhos aqui, que não somos apenas nós cinco," continuou Adeline, seu olhar perdido entre as sombras que dançavam com o vento. "Parece que nossa casa é um refúgio para espíritos malignos..." Um arrepio percorreu sua espinha quando Billy rosnou, um som grave que parecia ecoar as profundezas de um abismo desconhecido.

"Estou brincando, Billy," ela disse, tentando suavizar a tensão com um sorriso que não alcançou seus olhos. Enquanto acariciava as orelhas do cachorro, um pensamento sombrio lhe ocorreu: "Às vezes, nem parece brincadeira."

Adeline: (sussurrando) Billy, você sente isso? Como se estivéssemos sendo observados?

Billy: (com um rosnado baixo) Rrr... Rrr...

Adeline: (olhando ao redor) Eu sei que você não pode falar, mas seus olhos... Eles veem mais do que eu, não é?

Billy: (latindo suavemente) Au... Au...

Adeline:(parando) Às vezes, penso que você é o guardião desta casa, mais do que qualquer um de nós.

Billy: (com um rosnado mais alto) Rrrr!

Adeline: (com um sorriso triste) Sim, eu também gostaria de poder ver o que você vê. Talvez eu não me sentisse tão perdida.

Billy: (virando a cabeça como se estivesse ouvindo algo distante) Rrr... Au?

Adeline: (apertando o passo) Vamos, Billy. O que quer que seja, não podemos deixar que nos alcance.

Billy: (seguindo-a de perto) Rrr... Au!

Adeline: (respirando fundo) Seja lá o que você está tentando me dizer, eu espero ter a coragem de enfrentar.

A luz do entardecer mal conseguia penetrar as densas cortinas do velho casarão dos Mansons. No corredor, o eco dos passos de Adeline era abafado pelo tapete persa desbotado, enquanto ela caminhava com Billy ao seu lado. O cachorro, um vira-lata de olhos astutos, parecia pressentir a atmosfera pesada que se adensava no ar.

"Adeline," chamou uma voz suave e fria, cortando o silêncio como uma lâmina. Era sua mãe, a Sra. Rose, que a observava da soleira da porta da biblioteca. "Já fez sua lição de casa?"

A jovem hesitou, seus olhos desviando para Billy, que agora rosnava baixinho, como se sentisse algo que humanos não podiam perceber. "Ainda não, mãe," ela respondeu, a voz quase um sussurro.

A Sra. Rose suspirou, o som parecendo arrastar consigo sombras que se agitavam nas bordas da visão de Adeline. "Você já brincou o suficiente. Vá para o seu quarto e estude. Há coisas que você precisa aprender, coisas... importantes, e o dia das provas está chegando."

Adeline sabia que não havia espaço para argumentos. Com um aceno de cabeça, ela subiu as escadas, sentindo o olhar penetrante da mãe em suas costas. Billy a seguiu de perto, seu latido abafado soando mais como um aviso do que uma saudação.

No quarto, enquanto Adeline se debruçava sobre os livros antigos e poeirentos, ela não podia deixar de sentir que os símbolos arcanos e as palavras em línguas esquecidas que estudava escondiam segredos muito mais sombrios do que meras lições de história ou magia.

O quarto de Adeline era um santuário de sombras e segredos. Ela entrou silenciosamente, os livros de estudo em seus braços parecendo mais pesados do que o normal. Billy, com um suspiro que mais parecia um lamento, se acomodou no tapete antigo, seus olhos nunca deixando de vigiar a porta.

Adeline se aproximou da janela, a luz da lua desenhando padrões prateados no chão. Ela se perguntou, não pela primeira vez, a que horas seu pai retornaria. A ausência dele deixava um vazio que ecoava pelas paredes do quarto. Foi então que ela se lembrou daquela noite, há alguns meses, quando, olhando pela mesma janela, presenciou algo que desafiava a razão. Uma figura encapuzada atravessava o jardim, movendo-se não com passos, mas com um deslizar silencioso que não pertencia a este mundo. A figura parou sob o carvalho antigo, levantou a cabeça como se sentisse o olhar de Adeline, e seus olhos brilharam com uma luz vermelha, como brasas de um fogo distante. Adeline recuou, o coração batendo como as asas de um pássaro preso. Ela nunca soube quem era a figura ou o que queria, mas desde aquela noite, uma sensação de inquietação a acompanhava, como se aqueles olhos ainda a observassem, esperando o momento certo para revelar seus propósitos macabros. E agora, de pé na janela, Adeline sentia aquele olhar invisível sobre ela novamente, uma promessa silenciosa de que o mistério daquela noite ainda estava longe de ser desvendado.

"Sei que você está por ai em algum lugar", disse Srta. Adeline olhando pela janela ainda segurando seus livros.

Srta. Adeline se sentou à escrivaninha, o abajur lançando um círculo de luz dourada sobre os livros e papéis. Ela abriu um volume encadernado em couro, suas páginas cheias de diagramas desenhados por ela. Com a caneta em mãos, ela começou a decifrar as questões de gramática que era seu dever de casa.

Enquanto Adeline se perdia nos estudos, a cena muda para a cozinha, onde a Sra. Rose estava em frente ao fogão. O som do cozimento era uma sinfonia estranha, acompanhada pelo crepitar das chamas. Ela mexia o caldeirão com uma colher de pau, mas sua mente estava longe dali.

"Ele não deve saber ainda," pensava ela, "não até que esteja pronto." Em sua mente, imagens distorcidas dançavam; figuras encapuzadas, rituais sob a lua cheia, e um segredo tão antigo quanto o próprio tempo. "O poder que corre em nossas veias... será que ele compreenderá? Será que ele aceitará o fardo?"


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